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Efatá: os Direitos à Comunicação
Luciano Sathler (Sathler é docente na Universidade Metodista de São Paulo e Presidente para América Latina da Associação Mundial de Comunicação Cristã ( www.wacc-al.net ).
E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos. Marcos 7:37
A cura do surdo que mal falava foi ministrada por Jesus com a palavra Efatá, que significa, abre-te. Ela resume a ação comunicativa fundante do Reino de Deus.
Fazer surdos ouvirem é preparar as pessoas para discernir as mensagens que recebem e exercer a crítica esclarecida. Levar mudos a falar é criar condições para que lutem contra a opressão e busquem a transformação do mundo. Nesse milagre Jesus restaurou o corpo físico e, principalmente, resgatou a dignidade do ser humano que estava excluído pelos preconceitos da época.
Defender os Direitos à Comunicação é construir as bases para que cada um tenha liberdade e condições de ouvir e ser ouvido, entender, aprender, criar e responder, num permanente diálogo. Isso vale para as relações privadas e também para a arena pública, no esforço de democratização do poder além das eleições.
É mais que a liberdade de expressão. Num mundo de vozes muito fortes, como as dos meios de comunicação massivos, simplesmente poder se expressar não é suficiente, sob o risco de cair no vazio. Palavras mortas são as que não promovem mudanças efetivas. Podem ser lindas, poéticas e bem elaboradas, se não geram fruto são como uma figueira seca às margens do deserto.
Os Direitos à Comunicação incluem cada um se expressar na sua própria língua, de acordo com a cultura que faz parte - desde que em respeito à vida -, ter como se educar, participar dos sistemas de governança e de assembléias pacíficas, manter a privacidade, contar com proteção da sua reputação individual, usufruir dos benefícios das tecnologias de informação e comunicação. Isso exige medidas para garantir maior diversidade dentre os donos dos meios de comunicação, controle social e coletivo das mídias, além do acesso democrático às mesmas.
O milagre da linguagem não é que se possa codificar os pensamentos e externalizá-los, mas sim, ser capaz de recriar as próprias idéias na mente dos outros, estes adicionarem as suas próprias e se comunicarem de volta com algo diferente e melhorado.
É preciso garantir as condições para que ocorram ciclos criativos e respeitosos de interação, com livre participação de indivíduos e grupos na sociedade. Endossar o direito de todos poderem expressar suas idéias, que sejam igualmente ouvidas, compreendidas, consideradas e respondidas.
[editorial en español] |